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Título: Os ‘intrusos’ e os ‘outros’ quebrando o aquário e mudando os horizontes : as relações de raça e classe na implementação das cotas sociais no processo seletivo para cursos de graduação da UFES - 2006-2012
Autor(es): Santos, Sérgio Pereira dos
Orientador: Oliveira, Ivone Martins de
Data do documento: 21-Nov-2014
Resumo: A pesquisa desta tese investiga as mediações das categorias de raça e de classe social no processo de implementação do modelo de cotas sociais da Ufes para ingresso nos cursos de graduação, entre 2006 a 2012, como parte das ações afirmativas dessa universidade. Tal modelo, para incluir a população afro-brasileira no ensino superior do Espírito Santo, respeitou estritamente os critérios de renda e de origem escolar pública, não adotando o critério étnico-racial que contemplaria especificamente os negros e os indígenas. Diante disso, o autor busca sustentar a tese de que, considerando o padrão das relações raciais brasileiras produtor de assimetrias entre grupos com marcas raciais distintas, no caso de negros e brancos, as desigualdades raciais têm na operacionalização do racismo seu mote ofensivo e poderoso, ao mesmo tempo em que a classe social isolada é insuficiente na compreensão e superação do problema racial do Brasil. Portanto, na adoção de políticas de combate às desigualdades raciais no ensino superior, caberia também a utilização de medidas etnicamente referenciadas. Autores como Hall (2008) e Fraser (2006), ao trazerem a dimensão articulada e bifocal das injustiças simbólicas e das injustiças econômicas, permitem entender a complementaridade e as dinâmicas entre ambas, deslocando-se de determinismos classistas que invisibilizam o racismo como instrumento opressor nas relações sociais. Como objetivos específicos, considera: compreender o processo de construção do modelo de cotas da Ufes, para ingresso nos cursos de graduação implementado em 2008, sob a perspectiva do debate da relação entre raça e classe; examinar as políticas de ações afirmativas como respostas às demandas históricas dos afro-brasileiros no contexto da sociedade brasileira; avaliar a posição de professores e alunos de cursos de graduação da Ufes diante do ingresso de alunos cotistas, sobretudo afro-brasileiros e pobres; e investigar a relação das políticas classistas, no caso específico das cotas sociais, na superação das assimetrias raciais. Adota como procedimentos metodológicos a metodologia dialética de pesquisa considerando todas as contradições entre raça e classe no processo de implementação de ações afirmativas na Ufes. Como instrumentos de pesquisa, utiliza entrevistas de professores e alunos cotistas e não cotistas de cursos variados da universidade, assim como documentos referentes à temática. Os resultados apontam para uma “oxigenação” da universidade depois de uma entrada maior de negros e pobres, principalmente nos cursos mais elitizados, pois as cotas operam uma dimensão pedagógica de ampliar a diversidade social na academia, trazendo outras demandas, outras 10 afetividades, outras lógicas de mundo e concepções de sociedade para a única universidade pública do Espírito Santo. Indica que os mecanismos discriminatórios e estigmatizantes interpessoais e institucionais, vividos no contexto das cotas sociais e explícitos na pesquisa, não inviabilizam a importância das ações afirmativas, pois apontam para a universidade repensar e ressignificar seus currículos e ações pedagógicas homogeneizantes no sentido de ampliar a ideia de inclusão e de democratização de seus espaços. Reitera que a raça, em seu viés político e cultural, é operante de forma relacional e independente com a classe social no contexto da produção das assimetrias raciais brasileiras, de maneira que a ação de uma não nega a ação da outra, mesmo na relação entre ambas. Enfatiza a importância do entendimento e da materialidade das ações afirmativas como políticas de reconhecimento que combateriam as desigualdades simbólicas na Ufes. Aponta a relevância das políticas de assistência estudantil, conjugadas às cotas, como políticas de redistribuição econômica, que lidariam com as dificuldades ou ausências materiais dos discentes, principalmente dos cotistas. Conclui que as cotas étnico-raciais nas universidades brasileiras são instrumentos legítimos de luta pela educação, um direito social de oportunidade dos grupos historicamente apartados de princípios constituidores da emancipação, da cidadania, dos direitos humanos, da justiça social, da igualdade e da diferença.
The research of this thesis investigates the mediations of the categories of race and class in the model of implementation of social quotas at UFES for assessing graduation courses between 2006 and 2012, as part of the affirmative actions of this university. Such model, as to include African-Brazilian population in university education in Espírito Santo, included strictly the criteria of income and public schools origin, not adopting the ethnic-racial criteria that contemplates specifically black people and Indians. Given this, the author means to support the theory that considering the pattern of the Brazilian racial relations that produce asymmetries among groups with distinct racial marks, in the case of black people and white people, racial differences have operationalization its offensive and powerful offensive motto, at the same time that the isolated class is insufficient in the overcome and understanding of Brazil's racial problem. Therefore, in the adoption of policies that fight racial inequality in university education, it would also be relevant the use of measures ethnically referenced. Authors like Hall (2008) and Fraser (2006), when they bring the articulated and bifocal dimension of the symbolic and economical injustices; they allow the understanding of the complementarity and the dynamic between them, moving from classist determinisms that rend racism as oppressing instrument in social relations. As specific objectives, it considers: Understanding the process of construction of the model of quotas at Ufes, for entering graduation courses implemented in 2008, under the perspective of the debate of the relation between race and class; Analyzing the affirmative action’s policies in response to the historical demands of the African-Brazilian in the context of Brazilian society; Analyzing the position of the professors and students of the graduation course at Ufes facing the entrance of quota students, specially African-Brazilian; and analyzing the relation of the classist policies, in the specific case of social quotas, in the overcoming of racial asymmetries. It adopts the methodological procedures and dialectic methodology of research considering all the contradictions between race and class in the process of implementation of affirmative actions at Ufes. As a research tool, it uses interviews with faculty members and students, quota and non-quota, of the most various courses of the University, as to documents relating to the theme. The result aims at the “oxygenation” of the University after a larger entry of black people and poor people, especially in the courses considered as being more of the elite, because the quotas operate a pedagogical dimension of enlarging social bio diversity, bringing 12 other demands, other affections, other logics of world and conceptions of society to the only public University in the Espírito Santo. It indicates that the discriminatory mechanisms and interpersonal and institutional stigmatizers, living in the context of social quotas and explicit in the research do not derail the importance of the affirmative actions, because they aim at making the University rethink and give new meaning to its curriculums and homogenizing pedagogical actions with the purpose of enlarging the idea of inclusion and the democratization of its spaces. It reiterates that race, in its political and cultural edges; it is operative in a relational and independent way to the social class in the context of the creation of Brazilian´s racial asymmetries, in a manner that the action of one does not deny the action of the other, even ion the relation between them. It emphasizes the importance of the understanding and of the materiality of the affirmative actions as acknowledgement policies that would fight symbolic inequalities at Ufes. It points at the relevance of student assistance, coupled with the quotas, as an economic policy that would deal with the material difficulties or absences of the students, especially the quota students. It concludes that ethnic-racial quotas at Brazilian Universities are legitimate fighting tools for education. A social right of opportunity of the groups historically broken up from principles that constitute the emancipation, of citizenship, of human rights, of social justice, of equality and difference.
La investigación de esta tesis aborda las mediaciones de las categorías de rasa y clase social en el proceso de implementación del modelo de cuotas sociales de la Universidad Federal do Espírito Santo/UFES para el ingreso en los cursos de graduación entre 2006 a 2012, como parte de las acciones afirmativas de esta universidad. Tal modelo, para incluir a la población afro-brasileña en la enseñanza superior del estado de Espírito Santo, incluyó estrictamente los criterios de renta y de origen escolar pública, no adoptando el criterio étnico-racial que contemplaría específicamente los negros y los indígenas. Delante de esto, el autor busca sustentar la tesis de que, considerando el padrón de las relaciones raciales brasileñas, productor de asimetrías entre grupos con marcas raciales distintas, en el caso de negros y blancos, las desigualdades raciales tienen en la operación del racismo su lema ofensivo y poderoso, al mismo tiempo en que la clase social aislada es insuficiente en la comprensión y superación del problema racial en Brasil. Por lo tanto, en la adopción de políticas de combate a las desigualdades raciales en la enseñanza superior, hay espacio también para la utilización de medidas étnicamente referenciadas. Autores como Hall (2008) y Fraser (2006), al abordar la dimensión articulada y bifocal de las injusticias simbólicas y de las injusticias económicas, permiten entender la complementariedad y las dinámicas entre ambas, dislocándose de determinismo clasistas que dejan invisible el racismo como instrumento opresor en las relaciones sociales. Como objetivos específicos, considera: comprender el proceso de construcción del modelo de cuotas en la UFES frente al ingreso de negros y pardos en los cursos de graduación implementados en 2008, siguiendo la perspectiva del debate de la relación entre raza y clase; Analizar las políticas de acciones afirmativas como respuestas a las demandas históricas de los afro-brasileños pobres; Y analizar la relación de las políticas clasistas, en el caso específico de las cuotas sociales, en la superación de las asimetrías raciales. Adopta como procedimientos metodológicos la metodología dialéctica de investigación considerando todas las contradicciones entre raza y clase en el proceso de implementación de acciones afirmativas en la UFES. Como instrumentos de pesquisa, utiliza entrevistas de profesores y alumnos cuotitas y no cuotitas de cursos variados de la Universidad, así como documentos referentes a la temática. Los resultados apuntan para una “oxigenación” de la Universidad después de un ingreso mayor de negros y pobres, principalmente en los cursos de élite, pues las cuotas operan una dimensión pedagógica de 14 ampliar la diversidad social en la academia, trayendo otras demandas, otras afectividades, otras lógicas de mundo y concepciones de sociedad para la única Universidad pública del estado de Espírito Santo. Indica que los mecanismos de discriminación y de estigmatización interpersonales e institucionales, vividos en el contexto de las cuotas sociales y explícitos en la investigación, no inviabilizan la importancia de las acciones afirmativas, pues colocan a la Universidad frente a la posibilidad de repensar, resignificar sus currículos y acciones pedagógicas que homogeneizan, en el sentido de ampliar la idea de inclusión y de democratización de sus espacios. Reitera que la raza, en su línea política y cultural, es operante de forma relacional e independiente con la clase social en el contexto de la producción de las asimetrías raciales brasileñas, de manera que la acción de una no niega la acción de la otra, mismo en la relación entre ambas. Enfatiza la importancia del entendimiento y de la materialidad de las acciones afirmativas como políticas de reconocimiento que combatirían las desigualdades simbólicas en la UFES. Apunta la relevancia de las políticas de asistencia estudiantil, conjugada a las cuotas, como políticas de redistribución económica, que lidiarían con las dificultades o ausencias materiales de los discentes, principalmente de los cuotitas. Concluye que las cuotas étnicas raciales en las universidades brasileñas son instrumentos legítimos de lucha por la educación, un derecho social de oportunidad de los grupos históricamente apartados de principios constituidores de la emancipación, de la ciudadanía, de los derechos humanos, de la justicia social, de la igualdad y de la diferencia.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/1429
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