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Título: A genealogia de um mestrado em saúde coletiva
Autor(es): Silva, Roberta Scaramussa
Orientador: Andrade, Ângela Nobre de
Palavras-chave: Saúde Pública
Saúde Coletiva
formação
Data do documento: 30-Jul-2007
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: No Brasil, as políticas de Saúde Pública foram até metade do século XX caracterizadas por práticas clientelistas, apoiadas num modelo de campanhas sanitárias em que se adotava um estilo repressivo disciplinar de intervenção médica sobre os corpos tanto individuais quanto sociais. A partir de 1960, nota-se um intenso movimento popular por reformas em diferentes âmbitos sociais, visando implementar ações de resistência aos poderes instituídos. Entre esses, os de luta por transformações efetivas na área da Saúde em favor de uma reforma que suplantasse o modelo biológico, curativo e assistencial vigente, tendo seu ápice na década de 1980 com a Reforma Sanitária. O recente movimento denominado Saúde Coletiva configura-se, nesse contexto, objetivando romper com o discurso-práticas sustentado pelo modelo de Saúde Pública hegemônico. Tal campo de teorias e práticas compromete-se com a incorporação das Ciências Sociais à área da Saúde, com a ampliação do conceito de saúde, e com a autonomia dos sujeitos envolvidos no processo, resgatando os sentidos de política e público há tanto desvirtuados. A partir do exposto, objetivou-se desenvolver uma Avaliação Genealógica do Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tendo como referência o discurso de seus alunos em atuação nos serviços públicos de saúde. Foram entrevistados oito alunos de uma turma do mestrado. As entrevistas foram gravadas, transcritas e posteriormente discutidas com base na Análise do Discurso. Os enunciados foram reorganizados de acordo com três temáticas que se destacaram: a formação de graduação, a prática profissional no serviço público e a formação no Mestrado em Atenção à Saúde Coletiva. A genealogia do discurso produzido pelos alunos apontou para um permanente embate de forças nos quais alunos afirmavam a processualidade (sentido Ético) ou, ao contrário, a negavam através da imposição de saber (sentido Moral). De modo geral, no campo da produção de conhecimento seja na formação de graduação ou na formação do Mestrado em Atenção à Saúde Coletiva , houve o predomínio de práticas heterônomas (Morais). A incorporação do saber à lógica do mercado leva à fabricação de trabalhadores para atender as exigências do capital, ampliando o descompromisso com uma aprendizagem crítica e inventiva. O discurso evidencia a separação entre os conteúdos acadêmicos e a prática nos serviços de saúde pública, revelando-se em insatisfação com a atuação e na crença de que a formação permanente poderá levar às respostas para os desafios impostos pelo cotidiano de trabalho. No que se refere à prática profissional, a produção coletiva não acontece, e o saber do outro seja do usuário ou do colega de trabalho é constantemente negado ou desconsiderado. A prática multiprofissional mostra-se como mais um modismo imposto pela necessidade de se dar conta da complexidade da saúde em meio à fragmentação dos saberes. Contudo, embora de maneira menos evidente, em alguns momentos foi possível perceber tentativas de rompimento com as formas instituídas. Ainda que não se configurem como modos existenciais Éticos, abre-se um importante espaço para a emergência de novos modos de subjetivação capazes de engendrar novas formas de pensar e fazer em saúde.
In Brazil, the Public Health policies were, until half of the 20th century, characterized by clientlism practices, based on a model of sanitary campaigns, in which it was adopted a repressive disciplinary style of medical intervention on the bodies, both individual and social. After 1960 is noted an intense popular movement searching for changes in different social areas to implement actions resisting the instituted powers. Among those, the attempts for effective transformations in the Health area, in favor of a reform that would overpower the biologic, curative and assistencialist model that existed, having its peak on the decade of 1980, with the Sanitary Reform. The recent movement, called Colective Health appears in this context to breach the speech- practical supported by the hegemonic model of Public Health. This field of theory and practice is committed with the entry of Social Sciences in the Health Science, with the widening of the health concept and with the autonomy of the subjects involved in the process, rescuing the meanings of politics and public lost so long ago. Based on that, was the objective to develop a genealogic evaluation of the Program of Master degree in Colective Health of UFES, based on the speech of its students that were currently working in the public health services. Were interviewed eight students. The interviews were taped, transcribed and discussed based on the Speech Analysis. The speech was organized according to three more recurrent themes: the undergraduate formation, the professional practice on the public service and the formation on the Master’s Program. The genealogy of the speech produced by the students showed a permanent shock of forces in which the students stated the processuality (ethical meaning) or, in the contrary, the denial of it through the imposition of the knowledge (moral meaning). In a general way, in the field of the production of knowledge, either in the undergraduate formation or in that Master program, there was the predominance of heteronomous practices (moral). The incorporation of the knowledge to the logic of the market leads to the making of workers that follow the demands of the capitalism, increasing the non commitment with a critic and inventive learning. The speech evidences the separation between the academic contents and the practice on the public health services, reveling itself in dissatisfaction with the practice and the belief that the permanent formation might lead to the answers of the challenges imposed by the everyday job. Referring to the professional practice, the collective production does not happen, the knowledge of the other (either the coworker or the client of the health system) is constantly denied or ignored. The multiprofessional practice exists much more as something imposed by the necessity of coping with the complexity among the fragmentation of the knowledge. Even with that, thought less evident, in some moments it’s possible to see some attempts of breaking through with the instituted forms. Even thought it does not appear as an ethical ways of being, it opens an important place to the emerging of new ways to think and make health.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3088
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