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Título: A representação do espaço na Odisseia : definindo isotopias, heterotopias e utopias na Grécia antiga (séculos X-VIII a.C)
Autor(es): Gabrecht, Ana Penha
Orientador: Silva, Gilvan Ventura da
Data do documento: 18-Ago-2014
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: A Idade do Ferro antiga (XII-VIII a.C.), na Grécia continental, configurou-se como um momento em que as comunidades estão saindo de um processo de isolamento. Após a destruição dos palácios micênicos uma série de eventos simultâneos ocorridos na virada do século XIII para o XII a.C., o mundo grego mergulha num período de aproximadamente quatro séculos entre o XII e o VIII a.C. , em que ocorre uma acentuada redução da produção material e do crescimento demográfico. Nesse momento, há também o desaparecimento dos registros escritos, o que dificulta em muito a compreensão sobre o que se passou no decurso desses séculos. Junto com a análise de elementos da Cultura Material, o pesquisador interessado nesse período da História da Grécia pode lançar mão também das duas epopeias tradicionalmente atribuídas a Homero: a Ilíada e a Odisseia. Transmitidas oralmente por uma longa cadeia de aedos e fixadas por escrito por volta dos séculos VII e VI a.C. elas transmitem importantes informações sobre as sociedades que viveram na Grécia de várias temporalidades. Estamos cientes de que as obras atribuídas a Homero são textos poéticos, todavia, acreditamos que a Literatura pode ser um importante instrumento para o historiador, uma vez que consideramos que os gêneros literários estão intimamente relacionados às condições históricas que as produziram. Sendo assim, para esta pesquisa, optamos por utilizar a Odisseia como fonte de análise por consideramos que seja posterior à Ilíada e, portanto, mais representativa dos acontecimentos da fase final da Idade do Ferro antiga. Nos referimos, em especial, aos processos de formação de novos assentamentos gregos fora da Grécia Continental, sobretudo na Península Itálica, que representaram, a nosso ver, uma reconfiguração nas formas de entender os espaços. Acreditamos que, a partir da análise de trechos da Odisseia, é possível entender os processos de formação de identidades e alteridades no mundo grego, em especial no século VIII a.C., período em que nos concentramos em nosso estudo, pois representaria um momento de grandes transformações para os gregos. Nesta pesquisa, buscamos associar os espaços descritos por Homero aos conceitos de isotopia, utopia e heterotopia provenientes do quadro teórico desenvolvido por Henri Lefebre para assim captar como se define a identidade grega.
The Ancient Iron Age (12th -8th b. C.), in continental Greece, was a moment in which communities were transitioning from a process of isolation. After the destruction of the Mycenaean palaces – a series of simultaneous events that took place around the turn from the 13th to the 12th century b. C. – the Greek world plunged into a period that lasted about four centuries – between the 11th and the 8th centuries b. C. – in which an accentuated reduction of material production and of demographical development was felt. At the same time, the disappearance of written documentation hampers the understanding of what happened during those centuries. A researcher interested in that period of Greek History is able to use, besides the analysis of elements of material culture, the two epic poems traditionally assigned to Homer: the Iliad and the Odyssey. Orally transmitted through a long chain of rhapsodes and fixed in writing around the 7th or 6th century b. C., they transmit important information about the societies that lived in Greece at different moments in time. While we are aware that the works attributed to Homer are poetic texts, we believe that Literature can be an important instrument to historians, if we consider that literary genres are closely related to the historic conditions that produced them. Therefore, in this research, we decided to use the Odyssey as source of analysis, because it is considered to have been composed later than the Iliad, and, consequently, more representative of the final phase of the Ancient Iron Age. We will refer, especially, to the process of formation of new Greek settlements outside of continental Greece, mainly in the Italic Peninsula, which represented, in our opinion, a reconfiguration in how space is understood. We believe that, based on excerpts of the Odyssey, it is possible to understand the process of formation of identities and alterities in the Greek world, especially during the 7th century b. C., the period in which we concentrate our studies, because that was a moment of radical transformation for the Greeks. In this reseach, we associated the spaces described by Homer, to the concepts of isotopia, utopia, and heterotopia as developed in Henri Lefebvre’s theoretical table, in order to capture how one could define a Greek identity. Keywords: Odyssey. Homer. Space.
L’ancien Âge de Fer (XIIe-VIIIe a. J-C.), la Grèce continentale, a été configuré comme un moment où les communautés sont à venir au large un processus d’isolement. Après la destruction des palais mycéniens – une série d'événements simultanés à la fin du XIIIe siècle à la XIIe a. J-C., – le monde grec aborde dans une période d'environ quatre siècles – entre le VIIIe à XIIe a. J-C. –, il y a une réduction marquée de la production matérielle et de la croissance démographique. En ce moment, il y a aussi la disparition de documents écrits ce qu’il gêne grandement la compréhension de ce qui s’est passé au cours de ces siècles. Avec l’analyse des éléments de la culture matérielle, le chercheur intéressé par cette période de l'histoire de la Grèce, peut également faire usage des deux épopées traditionnellement attribuées à Homère: l’Iliade et l’Odyssée. Les deux transmis oralement à travers une longue chaîne de bardes et fixé par écrit autour des VIIe et VIe siècles a. J-C., elles donnent des informations importantes sur les sociétés qui ont vécu en Grèce pendant plusieurs temporalités. Nous sommes conscients que les œuvres attribuées à Homère sont des textes poétiques, toutefois, nous croyons que la littérature peut être un outil important pour l'historien, puisque nous considérons que les genres littéraires sont intimement liées aux conditions historiques qui les ont produits. Donc, pour cette étude, nous avons choisi d’utiliser l’Odyssée comme source d’analyse par le considèrer comme plus récent que l’Iliade – et donc plus représentatif des événements de la phase finale de l’ancien Âge de Fer. Nous nous référons, en particulier, aux processus de formation de nouveaux établissements Grecs en dehors de la Grèce continentale, surtout dans la péninsule italienne, qui représente, à notre avis, une reconfiguration des moyens de comprendre les espaces. Nous croyons que, à partir de l’analyse d’extraits tirés l’Odyssée, il est possible de comprendre les processus de formation de l’identité et de l’altérité dans le monde grec, notamment dans le VIIIe siècle a. J-C., période que nous nous concentrons dans notre étude, car c’est un moment de grand changement pour les Grecs. Dans cette recherche, nous voulons associer les espaces décrits par Homère aux concepts de isotopie, utopie et hétérotopie, du cadre théorique développé par Henri Lefebre par conséquent de comprendre comment on définit l'identité grecque.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3171
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