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Título: Análise sociolinguística da manutenção da língua pomerana em Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo
Autor(es): BREMENKAMP, E. S.
Orientador: PERES, E. P.
Coorientador: FOERSTE, E.
Palavras-chave: Imigração pomerana
Contato linguístico
Manutenção/Substitu
Data do documento: 4-Jul-2014
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Citação: BREMENKAMP, E. S., Análise sociolinguística da manutenção da língua pomerana em Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo
Resumo: Esta dissertação investiga o processo de manutenção da língua pomerana no município de Santa Maria de Jetibá, Espírito Santo, considerado o mais pomerano do estado (PMSMJ, 2013). Primeiramente, registra-se a história dessa imigração. Depois, traz-se uma caracterização sociolinguística da comunidade pomerana santa-mariense. Para tanto, mostra-se o repertório linguístico da comunidade em estudo; discutem-se as atitudes e a lealdade do grupo em relação às línguas pomerana e portuguesa, a fim de verificar seu status frente aos falantes; abordam-se os domínios e as funções sociais desempenhadas pelas línguas oficial e de imigração; verifica-se o bilinguismo pomerano/português, com o intuito de entender se é estável ou visa à subtração da língua minoritária; entende-se a formação das redes sociais; e discute-se a identidade étnica dos pomeranos. Por fim, analisa-se a manutenção do pomerano por 150 anos, na tentativa de elucidar os fatores da manutenção e aclarar seu grau de vitalidade. Este estudo insere-se na área da Sociolinguística, especificamente, nos estudos de Contato Linguístico. Portanto, aborda-se um leque variado, mas complementar, de temas sociolinguísticos e, vale-se também, de constructos teóricos da antropologia, que são identidade, etnicidade e redes sociais. De acordo com a tradição sociolinguística, as línguas de imigração estão, geralmente, fadadas à extinção na terceira geração de descendentes de imigrantes - a Lei da Terceira Geração; mas, embora raras, existem exceções. Há inúmeros fatores que atuam sobre os processos de manutenção/substituição linguística e daí deriva-se sua complexidade: os mesmos fatores, na mesma direcionalidade, podem favorecer ambas as ocorrências. Sendo assim, cada caso deve ser tomado por si e ser estudado no contexto da sociedade na qual se insere. Além de todo esse aparato bibliográfico, este estudo se vale da abordagem qualitativa, que permite uma análise mais reveladora das entrevistas feitas com descendentes de pomeranos, e da Observação Participante. Os resultados, demonstrados através de gráficos, tabelas estatísticas e da análise interpretativa de excertos de entrevistas, evidenciam que a comunidade pomerana santa-mariense é bilíngue em 85%. Os informantes com mais de 55 anos de idade, quando muito, têm habilidades receptivas em português, e sua competência nesta língua não chega aos 20%. Já os mais novos têm habilidades receptivas e produtivas em português, que chegam a 100%, e, em pomerano, de 72,7%. As mulheres e aqueles com mais de 8 anos de escolaridade mostram-se mais próximos da língua oficial. No entanto, a comunidade se mostra altamente solidária ao bilinguismo. O grupo II, que compreende os 14-30 anos, reflete os piores índices em relação ao pomerano. Isso porque é um grupo instável emocionalmente e bastante afetado pelo preconceito linguístico, bem como pelo mercado linguístico. Quanto aos domínios e as funções sociais, as análises apontam para um alto grau de bilinguismo em quase todas as funções e âmbitos. Esse alto nível de bilinguismo se dá, inclusive, porque a comunidade é bilíngue precoce simultânea equilibrada. Diante desses resultados, mostramos que o momento atual requer atenção e cuidado para com o repasse da língua pomerana no âmbito da família. Entretanto, não foram encontradas evidências de um processo de substituição eminente.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/3778
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