Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufes.br/handle/10/4362
Título: Modelos de nicho, mudanças climáticas e a vulnerabilidade do clado Perissodactyla ao longo do tempo.
Autor(es): Gatti, Andressa
Orientador: Marco Júnior, Paulo de
Palavras-chave: Modelos de nicho
mudanças climáticas
vulnerabilidade
Data do documento: 20-Jun-2013
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: A Terra sofreu várias mudanças climáticas no passado e as mais recentes ocorreram durante os ciclos glacial-interglacial no Quaternário resultando na perda de habitat, em expansões e reduções do nível dos oceanos, produzindo mudanças nos ecossistemas e alterações significativas no habitat disponível para os herbívoros terrestres, principalmente. Muitas extinções dessa época são associadas às mudanças climáticas naturais, no entanto, as predições indicam que as alterações climáticas, ocasionadas pelas atividades antrópicas, serão uma das principais ameaças à biodiversidade no futuro. Em resposta às flutuações climáticas, as distribuições de algumas espécies podem sofrer mudanças ou, ainda, as espécies podem se deslocar para novas áreas adequadas. Contudo, isso dependerá de sua capacidade em dispersar e das características do ambiente. Assim, é fundamental identificar quais são as características que tornariam as espécies mais vulneráveis a essas mudanças. Nesse contexto, os Perissodactyla se mostraram um modelo adequado para testarmos nossas hipóteses, pois compreendem um grupo de grandes mamíferos herbívoros, extremamente ameaçados, que passaram por inúmeras mudanças ambientais desde a sua origem. Nosso principal objetivo foi avaliar a influência das alterações climáticas sobre os mamíferos do clado Perissodactyla, em uma escala temporal ampla, abrangendo desde o Quaternário (a partir do Último Interglacial) até o futuro (ano 2080). Utilizamos duas abordagens: i) a relação entre as características do nicho e a vulnerabilidade do clado no futuro; e ii) a influência do clima na distribuição de áreas ambientalmente adequadas, de Tapirus terrestris, no passado e no futuro. Para testar nossas predições nos baseamos na Modelagem de Nicho Ecológico, que tem sido uma das abordagens mais empregadas e relevantes para predizer as mudanças nas distribuições das espécies. Nós usamos diferentes conjuntos de modelos climáticos (paleoclimáticos, atuais e futuro) e procedimentos de modelagem. Nossos resultados indicam que os Perissodactyla apresentaram características de nicho distintas, e que espécies consideradas generalistas também podem sofrer negativamente os efeitos das mudanças climáticas. Além disso, grande parte das respostas das espécies foi idiossincrática. Outro ponto importante é barreiras podem ter limitar a dispersão dessas espécies a novas áreas ambientalmente adequadas, pois concluímos que várias espécies do clado ocorrem em áreas altamente ameaçadas pelas mudanças climáticas. Dentre os Perissodactyla, T. terrestris, se mostrou a espécie mais climaticamente generalista. Contudo, a avaliação da resposta da espécie em relação às diferentes mudanças climáticas, sugere que as condições mais críticas, que prevaleceram durante o Último Máximo Glacial, reduziram a extensão geográfica das áreas climaticamente adequadas para a anta, com uma subsequente expansão. Se o clima não foi um problema muito sério na história evolutiva da espécie, o desafio para a sua conservação hoje e no futuro podem ser bem maiores. Mesmo que a extensão da distribuição geográfica da anta em si não se altere, como uma resposta às alterações climáticas, predizer as mudanças da adequabilidade ambiental ao longo dessa distribuição nos auxiliará na priorização de áreas para a conservação da espécie. Dessa forma, o desaparecimento das condições climáticas e a emergência de novas áreas ambientalmente adequadas devem ser considerados em planos de manejo futuros, especialmente na criação de novas unidades de conservação tanto para T. terrestris quanto para os demais Perissodactyla.
The Earth has undergone several climate changes in the past, and the latest occurred during the glacial-interglacial cycles in the Quaternary, resulting in habitat loss, during ocean expansions and reductions, and several ecosystem changes. Numerous extinctions of that time are associated with "natural” climate change. However, the predictions indicated that climate change caused by human activities is now themajor threat to biodiversity. In response to climatic fluctuations, the distribution of some species may change, or species can move to new suitable areas. But this will depend on their ability to disperse and environmental characteristics in an anthropicecosystem. Thus, it is essential to identify the most important characteristics that make species more vulnerable to those changes. In this context, the clade Perissodactyla was a good model to test our hypotheses, because they are a group of large herbivorous mammals extremely threatened, that went through numerous environmental changes since its origin. I evaluated the influence of climate change on the Perissodactyla clade, on a wide time scale, ranging from the Quaternary (from the Last Interglacial) to the future (2080). I used two approaches: i) the relationship between the characteristics of the niche and the vulnerability of the clade in the future, and ii) the influence of climate on the distribution of environmentally suitable areas of Tapirus terrestris, in the past and future. To test the predictions, I used an Ecological Niche Modeling, which has been one of the most relevant approaches to predict changes in the species distributions. I used different sets of climate models (i.e. paleoclimate, present and future climates) and modeling procedures. The results indicated that the Perissodactyla showed distinct niche characteristics. Generalist species may also suffer negative effects of climate change. Furthermore, most of the species had idiosyncratic responses. Another important point is that barriers may have limited the dispersion of these species to new areas environmentally appropriate because several of these Perisodactyla occurred in areas highly threatened by climate change. The evaluation of the response of T. terrestris(the species most climatically generalist), to different climate scenarios, suggests that the most critical condition that prevailed during the UMG reduced the geographical extent of areas climatically suitable, with subsequent expansion. If the weather was not a very serious problem in the evolutionary history of the lowland tapir, the challenge to conserve this viiitaxon today and in the future may be much higher. Even if the total size range itself does not change as a response to climate variations, predicting the suitability of the environmental changes, along the distribution of tapirs, can help us to prioritize areas for their conservation. Thus, the disappearance of the climatic conditions and the emergence of new environmentally suitable areas should be considered in future management plans, especially concerning to creation of new protected areas for both T. terrestrisas for other Perissodactyla species
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/4362
Aparece nas coleções:PPGBAN - Teses de doutorado

Arquivos associados a este item:
Arquivo TamanhoFormato 
tese_6556_Tese_GattiA_final.pdf4.66 MBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.