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Título: Relacionamentos sociais de fêmeas de muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus, Primates-Atelidae)
Autor(es): Possamai, Carla de Borba
Orientador: Strier, Karen B
Data do documento: 25-Jun-2013
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: A maioria das espécies de mamíferos vivem em grupos sociais e formam relações próximas com seus conspecíficos. Nos primatas os grupos podem variar quanto ao grau de coesão e quanto a sua composição, sendo a última determinada por padrões de dispersão. A vida em grupo fornece aos primatas o contexto dentro do qual devem tomar decisões que lhes garantam a sobrevivência e o sucesso reprodutivo, porém e estabilidade dos grupos depende da habilidade dos indivíduos em se reconhecer e de lembrar com quem tenham interagido. Os humanos utilizam as faces para obter informações importantes sobre a identidade, sexo, idade e intenções de seus conspecíficos, que são essenciais para a vida em sociedades complexas, e existem evidências de que primatas não humanos processam as informações contidas na face de forma similar. Muitos primatas apresentam uma grande variação de coloração da pelagem e da pele, e acredita-se que os sinais conspícuos advertidos por essas variações são direcionados à seus conspecíficos como forma de comunicação visual. Os primatas são altamente sociais e capazes de se comunicar e interagir com qualquer membro do grupo porém, os laços familiares são mais importantes e a cooperação e as associações preferenciais com esses indivíduos trazem mais benefícios diretos e indiretos. Normalmente as relações sociais dos membros filopátricos de um grupo são mais intensas e acredita-se que o sexo que dispersa normalmente é o menos social. Contudo, existem mecanismos que auxiliam o processo de reconhecimento de indivíduos e de parentesco e entre os primatas os mais prováveis são a familiaridade e a correspondência fenotípica. Os muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), objetos desse estudo, apresentam características morfológicas que podem ser vantajosas para o reconhecimento entre indivíduos e utilizadas para facilitar as relações sociais. Os muriquis-do-norte nascem com a pele da face escura mas ao amadurecer começam a sofrer um processo de despigmentação formando diferentes padrões que são únicos para cada indivíduos. Suas relações sociais são igualitárias, e a estrutura social, similar a de chimpanzés e macacos aranha é patrilocal e a dispersão é realizada pelas fêmeas apenas. Como e com quem as fêmeas desenvolvem e mantém relações sociais benéficas após a dispersão ainda não sabemos. Entretanto, os muriquis-do-norte nos dão a oportunidade de investigar e aprofundar o entendimento sobre os mecanismos que podem influenciar as escolhas das fêmeas por potenciais relacionamentos sociais com suas irmãs maternas e outras fêmeas conhecidas do grupo natal, mesmo após a dispersão. Neste estudo procuramos responder a três perguntas, relacionadas ao reconhecimento de parentesco e preferências sociais das fêmeas: (i) se indivíduos maternalmente relacionados apresentam características faciais similares; (ii) humanos são capazes de reconhecer semelhanças faciais entre os muriquis que têm relações de parentesco; e por último (iii) os muriquis mantém associações preferenciais e relações afiliativas mais intensas os indivíduos maternalmente relacionados após a dispersão do grupo natal? Para responder as duas primeiras perguntas utilizamos fotografias das faces dos muriquis-do-norte. Usando o programa R para extrair as informações contidas nas fotografias, encontramos que os padrões de despigmentações são similares para indivíduos com relações de parentesco. Em seguida avaliamos em uma perspectiva comparativa a habilidade dos humanos em reconhecer semelhanças faciais. Os resultados deste estudo envolvendo N=401 voluntários corroboraram com nossa predição de que os muriquis-do-norte apresentam semelhanças entre indivíduos parentes e que humanos são capazes de detectar as relações de parentesco. Por fim avaliamos as relações sociais das fêmeas adultas de três dos quatro grupos que compõe a população de muriquis-do-norte da RPPN-Feliciano Miguel Abdala, utilizando dados comportamentais coletados de janeiro a dezembro de 2011. Como previsto associações entre as fêmeas adultas são mais frequentes do que com outros membros do grupo. Nosso resultados indicam que a familiaridade tem papel importante nas relações sociais pós-dispersão e que os muriquis-do-norte devem utilizar informações contidas nos padrões de despigmentação para distinguir indivíduos com quem desenvolvem relações afiliativas. Este estudo contrinue com a crescente literatura sobre os mecanismos pelos quais os primatas reconhecem um a outro e os papeis das relações de parentesco e familiaridade na estruturaçãoo das suas relações sociais.
Most species of mammals live in social groups and form close relationships with their conspecifics. In primates, social groups may vary in their degree of cohesion and in their composition, which is determined by patterns of dispersal. Living in groups provides primates with a social context within which each individual makes decisions that affect its survival and reproductive success, and the stability of these groups depends on the ability of individuals to recognize and remember with whom they have interacted. However, the cues that primates use to recognize one another are still only partially understood. Humans for example rely on faces for important information on the identity, sex, age and intentions of their conspecifics, and there is evidence that at least some non-human primates process information of the faces of conspecifics in similar way. Many primates show a wide variation in coat and skin color and it is believed that these are conspicuous signals directed to their conspecifics as a means of visual communication and individual recognition. The ability to recognize kin, in particular, may be important because cooperation and preferential associations with related individuals are known to bring more direct and indirect benefits in many primates. Typically social relationships of the philopatric members of a group are stronger than those of the sex that disperses. However mechanisms such as familiarity and phenotypic matching may assist in the process of individual recognition among members of the dispersing sex as well. The northern muriquis (Brachyteles hypoxanthus), the subjects of this study, undergo developmental changes in their distinct facial markings that may facilitate their ability to recognize one another from their facial markings, and thus affect their social relationships. Their social relations are egalitarian, and, similar to chimpanzees and spider monkeys, females are responsible for dispersing from their natal groups. However, whether females develop and maintain social relationships preferencially with familiar females (who may also be maternal or paternal sisters) from their natal group after dispersing is not yet known. In this study we aimed to answer three questions related to kin recognition and female social preferences: (i) do maternally related individuals have similar facial features; (ii) are humans able to recognize facial similarities in northern muriquis monkeys that are close maternal kin; and (iii) do northern muriquis maintain preferential associations and affiliative relationships with familiar individuals, which also likely to be maternal or paternal kin, after they leave their natal groups? To answer the first two questions we used photographs of faces of the northern muriquis. Using R program to extract the information contained in the photographs we found that facial pigmentation patterns were similar among close maternal kin. Then we evaluated in a comparative perspective the ability of humans to detect facial similarities in the muriquis. Results from tests involving N=401 volunteers corroborated our prediction that humans identified maternally related northern muriquis on the basis of similarities in their facial features. Finally, we evaluated the social relationships of adult females in three of the four groups that make up the population of the northern muriquis at the RPPN-Feliciano Miguel Abdala, in Caratinga, Minas Gerais, using behavioral data collected from January to December 2011. As predicted, adult females associated with one another more frequently than with other age-sex classes, and focal females associated preferentially with females known from their natal groups compared to unfamilar females, independent of maternal kinship. Our findings indicate that familiarity plays an important role in the post-dispersal social relationships of female northern muriquis, and suggest that northern muriquis use facial recognition to distinguish familiar individuals that may be close maternal, as well as paternal, kin. This study contributes to a growing literature on the mechanisms by which primates recognize one another and the roles of both kinship and familiarity in structuring their social relationships
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/4363
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