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Título: Confissão e autoficção na obra de Reinaldo Santos Neves
Autor(es): Martinelli Filho, Nelson
Orientador: Trefzger, Fabíola Simão Padilha
Data do documento: 25-Jul-2012
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Citação: MARTINELLI FILHO, Nelson. Confissão e autoficção na obra de Reinaldo Santos Neves. 2012. 166 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2012.
Resumo: Se entre os séculos XIX e XX a noção de sujeito sofreu um abalo por meio de pensadores como Friedrich Nietzsche, a figura do autor continuou dominando as obras literárias pelo menos até a década de 1960, quando também passou por um processo de descentralização por conta de trabalhos de estudiosos como Roland Barthes e Michel Foucault. Hoje, porém, o autor volta à ribalta sem a presença opressiva de outrora: após um reposicionamento e um redimensionamento diante de sua obra, ele agora participa da elaboração de armadilhas que iludem o leitor com supostas referências à realidade que se misturam à matéria ficcional. Dentro da autoficção, prática nomeada por Serge Doubrovsky em 1970, as hipotéticas fronteiras entre o real e a ficção são apagadas, prevalecendo o impasse e a indecisão mesmo diante de textos que se autoproclamam autobiográficos. Embora a matriz teórica da autoficção seja francesa, avançam cada vez mais os estudos sobre essa prática na obra de autores brasileiros, como se nota no crescente número de publicações, cursos e pesquisadores que se lançam a estudar este assunto. Nesse sentido, a proposta desta dissertação é ajustar o foco para a obra de Reinaldo Santos Neves tentando enxergar, para muito além de uma simples coincidência entre o nome do autor, do narrador e do personagem, um elaborado jogo que obnubila as supostas fronteiras entre verdade e ficção, pondo em suspensão as certezas que pretensamente se tem em relatos autobiográficos convencionais. Dessa maneira, analisar-se-á ao longo da obra de Reinaldo como dados biográficos do autor se confundem com elementos ficcionais de modo que esse outro eu criado não consiga fincar raízes num sujeito sólido e estável, mas que permaneça dentro de uma zona do indecidível, onde as armadilhas impedem que o leitor se apoie em alguma suposta verdade.
If in 19th and 20th centuries the notion of individual had been shaken by the thoughts of intellectuals like Friedrich Nietzsche, the image of the author has been continuously controlling literary works until the mid-1960s, when it also has suffered a process of decentralization, triggered by the texts of scholars like Roland Barthes and Michel Foucault. Nevertheless, nowadays the author comes back to the stage without its late oppressive presence: after some replacing and resizing, now he participates on the planning of the traps that deceive the reader with referrals to reality that are supposedly true and that mix themselves with fictional material. In autofiction, term coined by Serge Doubrovsky in 1970, the hypothetical boundaries between reality and fiction are erased and the impasse and indecision, even in the face of texts that are self-proclaimed autobiographies, do prevail. Although autofiction has its grounds in French theoretical thought, studies on this literary practice progress in the works of Brazilian authors, as it can be seen in the rising number of texts being published; courses being held; and of researchers taking the matter into account. In this sense, this dissertation proposes to adjust its focus to the work of Reinaldo Santos Neves in an attempt to grasp what lies beyond the coincidence of the name the author, narrator and character have, an intricate game that dim the boundaries between reality and fiction, suspending the beliefs that are pretentiously maintained in autobiographical accounts. In this way, the work of Reinaldo will be analyzed in order to identify how the author biographical data commingle with fictional elements, so that this imaginary other self cannot establish bounds with a solid and stable individual, but that it will nevertheless remain inside an unresolvable zone, where the traps hind the reader of leaning on any alleged truth.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/6428
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