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Título: O Adolescente Autor de Ato Infracional: Rede Social e Relacionamento Interpessoal
Autor(es): NEITZEL, S.
Orientador: GARCIA, A.
Palavras-chave: Adolescentes
Ato Infracional
Redes Sociais
Relacionamento
Data do documento: 30-Ago-2012
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Citação: NEITZEL, S., O Adolescente Autor de Ato Infracional: Rede Social e Relacionamento Interpessoal
Resumo: A violência tem sido objeto de diversos estudos atualmente. Não é rara a associação entre juventude, criminalidade e violência veiculada diariamente nas mídias que buscam influenciar a opinião da sociedade brasileira. Entretanto, a literatura aponta que os adolescentes e jovens são muito mais vítimas de atos violentos do que algozes. O objetivo deste estudo é compreender a configuração das redes sociais e as características dos relacionamentos interpessoais dentro das redes de adolescentes autores de ato infracional, que estão em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto (liberdade assistida), no município de Vila Velha- ES. Participaram deste estudo dez adolescentes, com idades entre 15 e 18 anos. Entre os principais resultados, se observa que os adolescentes relacionavam-se tanto com pessoas envolvidas em ações criminosas quanto com pessoas não envolvidas. As redes sociais apresentavam um número pequeno de participantes, porém havia poucos relacionamentos conflituosos e estressores. Ficou evidenciado que os adolescentes não estavam inseridos em outras políticas públicas, além do local de cumprimento da medida socioeducativa a casa amarela que foi representada por dois participantes como participantes em suas redes. Nenhum adolescente estava frequentando a escola no momento do cometimento do ato infracional e não a incluiu como participante de sua vida no presente, embora tenham declarado interesse em retomar os estudos. Quanto às dimensões do relacionamento interpessoal os adolescentes relataram uma distinção clara entre os amigos e colegas. Amigos se referem, em geral, aos sujeitos não envolvidos em ações ligadas ao crime e com os quais são relatadas maiores similaridades, confiança e reciprocidade nos sentimentos. Já os colegas são, em geral, sujeitos envolvidos em práticas infracionais, a relação é afetivamente distante, não há confiança e reciprocidade nas relações. Os adolescentes relacionavam-se tanto com a família nuclear quanto extensa. Nessas relações são percebidas reciprocidade e confiança, apesar de serem relatadas menos similaridades com familiares do que com os amigos. Nenhum profissional que lhes assistia no cumprimento da medida socioeducativa foi espontaneamente citado como participante de sua rede. Para a amostra, possuir relacionamentos afetivamente significativos com pessoas não envolvidas em atividades criminosas funciona como um mecanismo de proteção ao cometimento de atos infracionais e contribui para o rompimento com as práticas criminosas.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/9035
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