Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufes.br/handle/10/9071
Título: Convivendo com residências terapêuticas: concepções sociais, processos identitários e relações intergrupais
Autor(es): Ribeiro Neto, Pedro Machado
Orientador: Avellar, Luziane Zacché
Palavras-chave: Psicologia social
Residências terapêuticas
Etnografia
Data do documento: 15-Abr-2014
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: Elaboramos a tese com objetivo de analisar as relações intergrupais no contexto da convivência com Residências Terapêuticas (RTs). Por meio de perspectiva etnográfica com entrevistas e observações, pesquisamos as concepções de habitantes de um bairro que recebe três Residências Terapêuticas sobre a convivência com estes dispositivos e a interação com os moradores das RTs nos espaços públicos. Foram realizados três estudos complementares. No primeiro estudo, exploramos as concepções dos participantes sobre três aspectos principais: o hospital psiquiátrico, seu fechamento e o destino dos egressos sem laços familiares. Apoiamo-nos na Teoria das Representações Sociais (TRS) para discutir nossos dados neste estudo inicial e observamos que o hospital psiquiátrico se constituiu como referência para os participantes, representado como “casa de recuperação dos doidos”, lugar necessário, principalmente, em função da existência do “doido perigoso”. Os participantes demonstraram descontentamento com o fechamento, mas ao mesmo tempo, apresentaram uma postura favorável à sua desativação, fundamentada na convivência com egressos que habitam a vizinhança nas RTs, representados como não agressivos. Contudo, os participantes sugerem que as RTs sejam transferidas para locais afastados, tais como “casas-chácara”. No segundo estudo, com auxílio da Teoria da Identidade Social (TIS), abordamos as concepções sobre a convivência com as RTs, as quais foram concebidas como locais que exercem certo controle sobre os moradores, desempenhando, nessa visão, o papel do hospital 11 psiquiátrico. Além disso, a presença das RTs no bairro possibilitou que “o pessoal de fora” classificasse aquele local como “o conjunto dos doidos”, refletindo negativamente na identidade social dos participantes. Essa pode ter sido uma razão que justificou a tendência à diferenciação intergrupal na relação entre participantes e os moradores das RTs observada no discurso, podendo ser compreendida como uma necessidade decorrente do processo de identidade social. Antigos estereótipos associados à loucura, como a periculosidade social, foram desfeitos a partir da convivência cotidiana. Mesmo com a tendência à separação, há um movimento que aponta para a possibilidade da coexistência sem maiores conflitos entre os grupos envolvidos, ilustrando a ambiguidade das relações, pois no contexto da convivência com RTs, “não tem fórmula de bolo”. Por fim, no terceiro estudo, debatemos as representações sociais da interação com moradores das RTs e utilizamos de forma conjunta a Teoria da Identidade Social e a Teoria das Representações Sociais. Os participantes conhecem os moradores das RTs “de vista” e, além disto, estes são reconhecidos por apelidos e também pelo próprio nome. A circulação pelos espaços públicos do bairro possibilitou o diálogo com os participantes, contudo, restrito aos encontros passageiros: “a gente passa, oi prá lá, oi prá cá”. Os relatos que indicam a criação de vínculos coexistem com as representações sociais que sustentam a limitação dos moradores para o diálogo. Entendemos que essa representação social dos moradores como limitados para a conversa possui função específica e importante para os participantes, relacionada aos processos de constituição identitária. Estamos diante de uma realidade ambígua que apresenta o desejo de separação intergrupal, mas também revela as chances para a interlocução entre loucura e espaço público, mesmo que por meio de condições como o distanciamento e a ligeireza das relações. Garantir que a casa da loucura seja o espaço comum é essencial nesta 12 discussão, o que implica na participação social dos moradores e sua frequência na esfera pública.
We developed this thesis in order to examine the intergroup relations in the context of living in the same neighborhood as Therapeutic Residences (RTs). Through an ethnographic approach that included interviews and observations, we investigated the conceptions of residents of a neighborhood that encompasses three RTs in relation to living in the same neighborhood as these Residences and to the interaction with the RTs’ dwellers in public spaces. Three complementary studies were conducted. In the first study we explored the participants’ conceptions on three main aspects: the psychiatric hospital, its closure, and the destiny of ex-inpatients without family ties. We used the social representations theory to discuss our data in this initial study. We observed that the psychiatric hospital was seen as a reference for the participants, it was represented as a “house for the recovering of crazy people", and a necessary place mainly due to the existence of the "crazy dangerous". The participants showed displeasure with the psychiatric hospital closure, but at the same time, they demonstrated a favorable attitude toward its deactivation based on the interaction with ex-inpatients who lived at the RTs in the neighborhood, which were represented as nonaggressive. Nonetheless, the participants suggested that the RTs were transferred to distant locations, such as "farm-houses”. In the second study, based on the social identity theory, we addressed the participants’ conceptions about living in the same neighborhood as the RTs, which were conceived as places that exert some control over 14 the RT’s dwellers, playing the role of the psychiatric hospital. In addition to that, the presence of RTs in the neighborhood allowed the "outsiders" to classify that place as the "neighborhood of crazy people", reflecting negatively at the participants’ social identity. This may have been one of the reasons that justified the tendency of intergroup differentiation in the relationship between participants and the RTs’ dwellers, which can be understood as a result of a need for seeking a positive social identity. Nevertheless, old stereotypes associated with craziness, such as the social dangerousness, were fading by the daily coexistence. Even with the tendency to separation, there was a movement that points to the possibility of coexistence without major conflicts between the groups involved, illustrating the ambiguity of relations, since in the context of living in the same space as the RTs, “there is no cake’s recipe”. Finally, in the third study we discussed the social representations of interaction with the RTs’ dwellers, and we used an integration of the theory of social identity and the theory of social representations to analyze our data. Participants knew the RTs’ dwellers from seeing them around and they recognized them by nicknames and also by name. The circulation through the neighborhood’s public spaces enabled the dialogue between the participants and the RTs’ dwellers; however, this dialogue was restricted to brief greetings: "we go by, hi there, hi here". The reports indicating the creation of links coexisted with the social representations that support the limitation of the residents to a dialogue. We believe that the social representation of the RTs’ dwellers as having limitations to conversation had a specific and important function to the participants in relation to the processes of identity construction. We are facing an ambiguous reality that shows the desire of intergroup separation, but also reveals the chances for dialogue between the craziness and the public space, even if it is through some conditions such as quick and distant relationships. To ensure that the house of crazies is a common space is essential in this 15 discussion, which implies the neighborhood residents’ social participation and their frequency in the public sphere
Nous avons développé la thèse afin d'examiner les relations intergroupes dans le contexte de la vie avec Résidences Thérapeutiques (RTs). À travers une approche ethnographique des interviews et des observations, nous avons étudié les conceptions d'habitants d'un quartier qui reçoit trois RTs sur la vie avec ces appareils et l'interaction avec les résidents de la RTs dans les lieux publics. Trois études complémentaires ont été réalisées. Dans la première étude, nous avons exploré les conceptions des participants sur trois aspects principaux: l'hôpital psychiatrique, sa fermeture et le destin de l'expatients hospitalisés sans liens familiaux. Nous avons utilisé la théorie des représentations sociales pour discuter de nos données dans cette première étude et constaté que l'hôpital psychiatrique a été représentée comme référence pour les participants, comme maison de récupération de “fous”, le lieu nécessaire, principalement, en raison de l'existence de "fou dangereux". Les participants ont montré mécontentement avec la fermeture, mais dans le même temps, a montré une position favorable à sa désactivation, basé sur la coexistence avec des ex-patients hospitalisés qui vivent dans le quartier à la RTs, représentés comme non-agressif. Toutefois, les participants suggèrent que les RTs sont transférés à des endroits éloignés tels que "Fermes-Maison". Avec le soutien de théorie de l'identité sociale, dans la deuxième étude, nous avons abordé les conceptions sur la vivre ensemble avec les RTs, qui ont été 17 conçus comme des lieux qui exercent un certain contrôle sur les habitants, en jouant le rôle de l'hôpital psychiatrique. En outre, la présence de RTs dans le quartier a permis aux “outsiders” classent ce site comme "quartier de fous", reflétant une identité sociale négative des participants. C'est peut-être une raison qui justifie la tendance à la différenciation intergroupe dans la relation entre les participants et les habitants de la RTs observées dans le discours, peut être comprise comme une conséquence de la nécessité d'une identité sociale positive. Vieux stéréotypes associés à la folie, comme la dangerosité sociale, ont été abandonnés par la coexistence quotidienne. Même avec la tendance à la séparation, il ya un mouvement qui souligne la possibilité d'une coexistence sans conflits majeurs entre les groupes impliqués, illustrant l'ambiguïté des relations, parce que dans le contexte de la vie avec RTs, "n'a pas de formule de gâteau". Enfin, dans la troisième étude, nous avons discuté les représentations sociales de l'interaction avec les habitants de la RTs et utilisé la théorie de l'identité sociale et la théorie des représentations sociales pour analyser nos données. Les participants connaissent les habitants "de la vue" et, en plus, ils sont reconnus par des surnoms et aussi par nom. La circulation dans les espaces publics du quartier permet le dialogue avec les participants, cependant, limité à la rencontre des passagers: "Nous passons, salut à là, salut ici". Les rapports indiquent que la création de liens coexistent avec les représentations sociales qui soutiennent la limitation des résidents au dialogue. Nous comprenons que la représentation sociale des habitants comme limitée à la conversation a une fonction spécifique et important pour les participants, en rapport avec les processus de construction identitaire. Nous sommes confrontés à une réalité ambiguë qui montre la volonté de la séparation entre les groupes, mais révèle aussi les chances de dialogue entre la folie et de l'espace public, même par des conditions telles que la vitesse et la distance dans les relations. Assurez-vous que la maison de la folie est 18 l'espace commun est essentiel dans cette discussion, ce qui implique la participation sociale des résidents et de leur fréquence dans la sphère publique
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/9071
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