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Título: Sofrimento e Resiliência: O Impacto do Abuso Sexual na Saúde de Jovens Mulheres Vitimadas em Manaus
Autor(es): MARTINS, R. C.
Orientador: SOUZA, L.
Data do documento: 5-Abr-2007
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Citação: MARTINS, R. C., Sofrimento e Resiliência: O Impacto do Abuso Sexual na Saúde de Jovens Mulheres Vitimadas em Manaus
Resumo: Esta pesquisa objetivou investigar o impacto do abuso sexual na saúde de mulheres vitimizadas na cidade de Manaus, bem como as representações sociais de abuso, agressor e mãe. Foram entrevistadas dezoito mulheres vitimadas sexualmente, sendo doze vítimas de abuso extrafamiliar e seis de abuso intrafamiliar. Na primeira parte do protocolo de entrevistas procuramos coletar informações sócio-demográficas das participantes e na segunda parte solicitamos que falasse livremente sobre o ocorrido. Os dados das entrevistas foram analisados através da utilização da técnica de analise de conteúdo temática. Verificamos que para 50% das mulheres os efeitos negativos da ocorrência na saúde permaneciam, mesmo após a passagem de um ano do ocorrido, dificultando seus relacionamentos sexuais, sociais e familiares. Nestes casos observamos que elas não puderam contar com o apoio de familiares, da mãe ou de profissionais. Nos outros 50%, identificamos uma crescente mobilização para superar o estresse e superar a vida, e que o apoio social e familiar, bem como o serviço de apoio psicológico atuam como facilitadores no processo individual de enfrentamento dos efeitos adversos da violência sofrida. As mulheres representam o abuso sexual como um ato de violência extrema, enfatizando principalmente a força física e a violência do abusador. Identificamos ambigüidade no grupo de mulheres que sofreram abuso intrafamiliar, visto que parte das mulheres o percebeu como não violento. As representações sociais sobre o abusador se referem a um homem que possui autoridade, poder e força, é sempre mais velho, violento e não se preocupa com a vontade das mulheres vitimadas, verificando-se também ambigüidade visto que o abusador foi percebido nesse grupo como alguém amigo nas representações do grupo que sofreu violência sexual intrafamiliar. A mãe é representada pela maior parte das entrevistadas como Mãe Ruim, caracterizada como aquela que é insensível, negligente e pouco confortadora, com a qual mantêm relações conflituosas. A Boa Mãe foi referida por poucas entrevistadas indicando que o relacionamento entre elas era menos conflituoso. Concluímos que a dor genuína exteriorizada nos discursos das mulheres vitimadas, através da explicação de uma diversidade de transtornos físicos e psicológicos e de representações composta por elementos predominantemente negativos, denuncia uma realidade social vergonhosa e tolerante com as violências sexuais praticadas contra mulheres, adolescentes e crianças. Embora tenhamos identificado que uma parte das mulheres é resiliente e procura superar os efeitos perversos da ocorrência, entendemos que muito tem que ser feito para que, conhecendo os efeitos que este tipo de violência pode provocar, sejam adotadas medidas preventivas e de assistência consonantes com os direitos das cidadãs brasileiras.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/9104
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