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Título: ARTE DO CONSOLO DESTE LADO DE CÁ: Considerações sobre o projeto de uma fisiologia da estética de Nietzsche
Autor(es): Moura, Gabriel Herkenhoff Coelho
Orientador: Viesenteiner, Jorge Luiz
Data do documento: 18-Fev-2016
Editor: Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo: A tarefa que assumimos neste trabalho foi colocar a pergunta: como as reflexões sobre arte de Nietzsche puderam, ao menos em parte, terem vindo-a-ser realizadas por meio de uma fisiologia da estética (cf. GM III 8; CW 7; NW, Objeções)? Antes de pretendermos esgotar o assunto, tentamos compreender a possibilidade de elaboração coerente desse problema ao longo do caminho de pensamento nietzschiano. Mas, para tanto, precisamos lidar com as variações de perspectiva próprias de uma filosofia que não se pretende sistemática e assume suas tensões; e 1886 parece-nos ser um momento chave para vermos essas nuances, em particular no que diz respeito à arte. Naquele ano, Nietzsche escreveu novos prefácios para seus cinco livros publicados até então – O Nascimento da Tragédia (1872), Humano, demasiado humano I (1878) e II (1879), Aurora (1880) e A Gaia Ciência (1881-1882) –, buscando ressaltar o caráter unitário de sua obra, ou, como ele mesmo afirma em uma carta, apresentar a “história de um desenvolvimento”. E justamente a seu livro de estreia, ele adicionou um prefácio intitulado Tentativa de Autocrítica, no qual aponta para os aspectos que o inserem no todo de sua obra, mas, ao mesmo tempo, se distancia das concepções que ali configurariam uma “metafísica de artista”. Essa tensão é tratada no Capítulo I desta dissertação a partir de um contraste entre O Nascimento da Tragédia e a posterior Autocrítica. Após esse primeiro passo, procuramos mostrar no Capítulo II como, já em Humano, Nietzsche apresenta uma reorientação de sua estética, o que em Aurora e A Gaia Ciência se consolida com o enraizamento da moral, da filosofia e das artes na fisiologia, a qual argumentamos poder ser lida como logos da physis. No Capítulo III, indicamos como o ganho do âmbito fisiológico constitui o solo sobre o qual Nietzsche pensa o problema da inferência regressiva que o leva à sua distinção dos valores artísticos entre empobrecimento e abundância (cf. GC 370), que parece orientar sua fisiologia da estética. Por fim, discutimos como o exercício autocrítico nietzschiano e a inferência regressiva convergem em O Caso Wagner na antinomia entre os músicos Wagner e Bizet e na autoencenação nietzschiana como décadent que reconheceu sua doença, seu wagnerismo, e experimentou uma nova saúde.
The task we assumed in this work was to place the question: how nietzschean’s reflections on art, at least in part, could become performed by a physiology of aesthetics (cf. GM III 8; CW 7; NW, Objeções)? Before intending to exhaust the subject, we tried to comprehend the possibility of coherent development of this problem on Nietzsche's thought. However, thereunto, we must deal with the perspective’s variations of a philosophy that this is not systematic and assumes its tensions; and 1886 seems to be for us a key moment to see these nuances, particularly regarding art. On that year, Nietzsche wrote new prefaces to his five books published so far – The Birth of Tragedy (1872), Human, all too human I (1878) and II (1879), Dawn (1880) and The Gay Science (1881- 1882) – seeking to highlight the unitary character of his work, or, as he wrote in a letter, present the “story of a development”. And precisely to his debut book, he added a preface entitled Attempt at a Self-Criticism, in which he points to the aspects that insert it in the totality of his work, but, on the same time, he distances himself from certain conceptions that would configure a “metaphysics of artist” in the book. This tension is addressed, in the Chapter I of this master’s dissertation, from a contrast between The Birth of Tragedy and its posterior Self-criticism. After this first step, we try to argument in Chapter II as, yet on Human, Nietzsche presents a reorientation of his aesthetics, which in Aurora and The Gay Science is consolidated with the rooting of morality, philosophy and the arts in physiology, which we argue can be better interpreted as logos of physis. In Chapter III, we indicate that the gain of the physiological scope is the ground on which Nietzsche thinks the problem of backward inference that leads to his distinction of artistic values between impoverishment and abundance (cf. GC 370), which seems to conduct his physiology of aesthetics. Finally, we discuss how self-critical exercise and backward inference converge in The Case of Wagner in the antinomy between the musicians Wagner and Bizet and in Nietzsche’s self-staging as a décadent who recognized his illness, his wagnerianism, and experienced a new health.
URI: http://repositorio.ufes.br/handle/10/9377
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